passagens (pelo funil)

passagens (pelo funil)




Já tem uns tempos,

o zé mané garantia que, escorado,

dava para ir até a biguinha,

seu velho caminho

da rua do cemitério ao campo.

Às vezes caía de cara

no córrego do canto,

ou voltava, no frio, descalço dum pé.

Cadê o chinelo, zé? - Afastou...






Se passava morena bonita, dessas amigas

que a gente não precisa de colchão,

porque elas abafam a gente,

sorria safado.

Vamo chegar, a casa é nossa...






Agora só se ajeita sentado,

depois de levado pelos braços,

as pernas secas elegantemente cruzadas.

O índio implica, ele fica bravo,

mas passa logo.

Fumegueiro, igual ao gustavo.

Fumeiro.

O índio libera outra pinga

e ele fica bom de conversa.






Tô falando porque fui lá

e fiquei preocupado.

Não, o roberto eu conheço,

conheci o vô dele, uai.

E aquele outro, o kim? Tá sumido...

O índio, o diogo, a visita,

alguém tem que ajudar a levantar

o zé da cadeira

e levar até a borda da cama

- antes era só até a parede da porta do quarto.

Ui, iá, iá... Reunião dos fumegueiros...






Piorou um tanto.

Ele aceita, não briga com o tempo.

Disse que não dói,

mas não dá firmeza.

É igual a uma câimbra

nas duas pernas.

Insisti, disse que ele tem que fazer força

quanto estiver de pé para ir na marra.


Mas não vai.


Sai uma não?





25.02.2015









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