influenciação

'meu prozac é a cachaça, meu divã é a sarjeta...`- Guaraná no Corisco.

em abril do ano passado
compus a ’marchinha do buruca’
que começa com os versos
‘ô dida, ô dida
cadê o meu anel de marcassita?’
mostrei ao maior compositor vivo de marchinhas
felipe guaraná
que logo me apontou a grande semelhança
entre a melodia dessa parte
e a de ‘mamâe, eu quero mamar...’

não vou lançá-la mesmo
continuou valendo para mim
o que estou dizendo é que as influências
são inevitáveis
se você leu algo e concordou
se encantou com uma música
se gostou de novas ideias
de bons pensadores
é natural que isso passe a fazer parte de você
que veja as coisas
sob esse prisma eternamente ajustável

o que é a opinião
senão a conclusão a que se chega
a partir do seus conceitos e da sua interpretação
magnificamente mutantes?
o que você é
você aprendeu e aprende com os outros
até sentimentos
(sou flamenguista apaixonado
mas se meu pai fosse bangu
eu seria banguense roxo)
é um processo inexorável

eu digo que poesia tem nada haver (e não ‘a ver’)
porque o fato da ideia do nada existir (haver)
gera esse vazio no coração dos homens
de cujo preenchimento
a poesia é uma das alternativas
ontem vi que ferreira gullar disse
esse lindo anjo ateu
que ‘existe a arte porque a vida não basta’
que eu acho que é quase a mesma coisa
também fui influenciado por ele

todos somos influenciados por todos
isso é que provoca o desenvolvimento
do cérebro do macaco

soube, inclusive, pelo leo bochechão
que o marquinhos karaka perguntou
da marchinha postada
e o dida respondeu
‘eu vi aquela palhaçada’ no face

vida de compositor
não é mole, não, cabrocha.

26.01.16



  

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