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Mostrando postagens de Dezembro, 2016

torpor natural

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torpor natural


como todas as outras capacidades enlear-se na fantasia é curtição e é vício nocivo depende da dosagem
quem jamais fantasia tende à estagnação da surpresa à aniquilação da possibilidade do leve
quem mora em seu mundo fantástico acaba mentiroso patético suas criações inverossímeis se tornam galhofas contra si
quem fantasia dentro de um limite aceitável ameniza as maiores contrariedades sem evitar o ônus da resolução pondera, evita todas as brigas evitáveis e todas são evitáveis
e por que separação? porque de junção não se fala para não dar olho grande ou gordo quem está junto fica juntinho como quem compra pão ou frita o de ontem em duas bandas emborcadas com pouca manteiga
(e azeite, migalhas de queijo, cebola finíssima, ervas...).

Por que 'poesia tem nada haver?'


o que e onde?

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o que e onde?


absurdar logo as questões para torná-las absorvíveis:
se todos os males acontecessem a você, simultâneos e você sobrevivesse ainda ia preferir ficar por aqui sofrendo demais do que ir para não se sabe onde
absurdar
até sofrer é mais gostoso ou suportável que a incerteza
há mal que, impingido não é passível de compensação é perda e cuidar dela não a recuperará foi perda e pronto - melhor que não saber onde
uma história que se conte ou que prefira esquecida mais uns livros na estante a queda calma dos cabelos acinzentados pelas calçadas
a gente não esquece mas encontra memórias mais bonitas para passar no palco principal durante a maior parte da programação consciente no ritmo ajustado do pulso do coração entre pedras e quedas
o cálculo da passada a frequência que permite resistir a pontadas

sementes daninhas

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sementes daninhas




sementes são poesia, tudo bem espécie de pré-flor, pré-fruto sementes de cânhamo apuram o canto dos curiós reconheço lá seus benefícios
mas, aos que escrevem e utilizam teclados tais bolinhas mostram um pouco de sua cachorrice: minha tecla 'o' está neste momento agarrada, limitada em seus movimentos por culpa desse caroço que, calçando-a por baixo impede o pleno curso rumo ao contato com os terminais sensitivos
compreende? a porra toda tudo é ruim mas tudo é bom ao mesmo tempo.




pré-poema

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pré-poema

por que letras minúsculas? porque tudo é igual em importância nenhuma por que sem vírgulas finais? um bom limite já é o verso e economia de tinta
ponto é ponto ainda as coisas têm fim
curtos? as pessoas não leem muito mais porque livro é caro
em ordem cronológica? para ver como fica assim rolo de fax sou também econômico em estética
por que bobos!? ando feliz.


evitar, para não dizer erradicar as vírgulas, os mases, as conclusões.


tá bom, vou estar mais sorridente mais realista, mordaz mais doce eu meço meus amores pelas saudades.

papéis e fungos

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papéis e fungos


quantos livros a gente gostaria de ter escrito... mas só o autor pode escrever seu próprio livro sua índole e sentimentos vêm no texto e nos títulos
se eu tivesse escrito o diário de um mago se chamaria uma agenda de um mer se fosse o livro do desassossego seria coletânea de agendas cem anos de solidão eu intitularia nossas vidas efêmeras entendeu?
no lugar de mais platão, menos prozac eu colocaria mais raça, menos frescura para a odisseia, a maior mentira de pescador e sidarta, nada, preferiria seu zezito - cada um com o seu cada um, inclusive, profeta
a arte da guerra - quem sou eu!? seria apenas  um jeito de sobreviver xangô de baker street? eu diminuiria para mulher loira do banheiro
amar se aprende amando? seria a gente aprende a sofrer sossegado
em vez de assim falava zaratustra, oficina do kareca vinte poemas de amor e uma canção desesperada não passaria de uns poemas desiludidos e uma choradeira
é preciso estar imerso em uma certa glória para escrever um livro glorioso