curta as influências






curta as influências

em abril de dois mil e quinze
compus a ‘marchinha do buruca’
que começa com os versos
‘ô dida, ô dida
cadê o meu anel de marcassita?’

mostrei ao maior compositor vivo de marchinhas
felipe guaraná
que logo me apontou a grande semelhança
entre a melodia dessa parte
e a de ‘mamâe, eu quero mamar’...

não vou lançá-la mesmo
continuou valendo para mim

o que estou dizendo é que as influências
são inevitáveis
se você leu algo e concordou
se encantou com uma música
se gostou de novas ideias
de bons pensadores
é natural que isso passe a fazer parte de você
que veja as coisas
sob esse prisma
eternamente ajustável

o que é a opinião
senão a conclusão a que se chega
a partir de seus conceitos e de sua interpretação
magnificamente mutantes?

o que você é
você aprendeu e aprende com outros
até sentimentos
sou flamenguista apaixonado
mas se meu pai fosse bangu
eu seria banguense roxo
é um processo inexorável

eu digo que poesia tem nada haver (e não ‘a ver’)
porque o fato da ideia do nada existir
gera esse vazio no coração dos homens
de cujo preenchimento
a poesia é uma das alternativas

ontem vi que ferreira gullar dissera
que ‘existe a arte porque a vida não basta’
que eu acho que é quase a mesma coisa
- também fui influenciado por ele

todos somos influenciados por todos
isso é que provoca o desenvolvimento
do cérebro do macaco

soube, inclusive, pelo leo bochechão
que o marquinhos karaka perguntou
e o dida respondeu
‘eu vi aquela palhaçada’ no face

vida de compositor de marchinha
não é mole, não, cabrocha.

26.01.16


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