frango com palmito

frango com palmito



nunca passei do botequim
da caneta no papel de cigarro
do encontro etílico de mim

sou pior
digo isso com orgulho:
vejo um papo furado, mergulho

sem apologia, mas preciso me embebedar
no sentido do 'embebedai-vos'
do boudelaire, amigo da antonieta:
de vinho, de paixão, de virtude
a primeira opção
me destila a terceira
me fermenta a segunda

ainda não passei do botequim
porque não achei nada a mais
do que gostar de gente boa
mulher, violão, poesia e filosofia
comida de fogão a lenha
bater minha bola de flamenguista
e agnóstico de tendência espírita
e jogar isso e sinuca

por enquanto não morro
se não me livrar
dessa ressaca branda da madrugada
dessa necessidade incessante
e inflexível de água e pureza
dessa boca seca, dessa testa enrugada
mas não vou perdendo muita coisa
porque as pessoas vão fazendo quase nada
útil, puro e gostoso
vão só dando cabeçadas
e assim podem ir
por si acompanhadas

desisti de mudar o mundo
porque ele me mudou
e tornei-me um chato manso
que tenta ficar quieto quando puto

para não me tornar
mais um nauseabundo espectador
inventei essa história
de usar o álcool para aplacar as dores
até virar verdade
matei muito rápido
a boa birita da vida
e há muito bebo na realidade

cada um escolhe o que quer
quero que as coisas e as pessoas
não me incomodem, não me cobrem
menos impostos, mais feriados
só pessoas interessantes ao meu lado

ganhar mais dinheiro
mas sem majorar o incômodo
para procurar mais gente, mais lugares
outros tira-gostos em outros bares

sou gente boa, pode perguntar ao kim
ao geraldinho costeleta
aos meus filhos ou ao benjamim

souberem de alguma coisa
me liguem, venho
com a mesma sede de sempre
só venci, até hoje, a pressa
mas ainda me considero na luta
      
e ainda cozinho direitinho.





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